terça-feira, 10 de janeiro de 2006

a moça do imaginário

Eu não sabia o motivo. Também não me interessa.
Há alguns possíveis:
- religião: não... definitivamente ela não era de freqüentar muito a igreja;
- estética: aqui poderia existir uma modificação que a deixaria ainda mais bela... inclusive não foi por falta de incentivo.
- tradição familiar: talvez. Mas essa tradição descende da mãe e ela, portanto, também não deveria ter feito o mesmo com a neta?

A moça de cabelo comprido... o porquê dele eu não sei. Só sei de uma coisa: ele não saía do imaginário popular.

Eu por exemplo já a imaginei naqueles circos onde existe uma daquelas mulheres que amarram seu rabo de cavalo numa corda e roda, roda, roda e roda, e do lado o globo da morte. Para que isso se tornasse realidade só faltou mesmo o volume capilar... ela não o tinha muito.
Alguns cabelos brancos prematuros insistiam em aparecer. Aí eu pensava – se ela for tingir bem que poderia dar uma tosada naquela juba. Mas não. Faltava-lhe bom senso.

O mais freqüente era o povo falar dela, sobre a cama com seu cabelo comprido dormindo ou não.
Será que ela dorme com o cabelo preso? Será que ela roda e mexe o cabelo na hora de montar? Isso quase ninguém sabia e quem sabia não reparava...

O cabelo tem o seu charme. Uma jogada, um olhar, comendo, conversando, no telefone, enfim, tudo com o cabelo ficava muito sensual.
Embora não gostasse muito daquele corte acho que era o mais natural para ela: morena e com uma franjinha e alguns cabelos brancos. Simples. Mais arretado do que qualquer patricinha – como elas são comuns!

Poderia ficar escrevendo muitas teorias sobre o que podemos fazer com o cabelo. Desde fio dental até espanador. Bem que se ela vendesse o cabelo ganharia uma grana. Mas já não seria mais a moça do cabelo comprido. Seria mais uma entre tantas.

É... vamos esperar alguma revolução. Quem sabe a filha não nos surpreende daqui alguns anos...

E na próxima vez eu chamo um cabeleleiro para me dar uns conselhos.